Materia sobre artivismo na Ilustrada
Materia sobre artivismo na Ilustrada
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0612200607.htm
Amigos: hoje foi publicada na Folha de São Paulo a matéria 'Grupo faz
"artivismo" em ação em São Paulo'. Sem sequer entrar no mérito da
matéria, lamentamos apenas o esquecimento da jornalista que deixou de
citar o grupo Esqueleto Coletivo como autor da ação, que aconteceu
dentro da semana de imersão do EIA, como do workshop.
abraços, EIA
Ilustrada, São Paulo, quarta-feira, 06 de dezembro de 2006
Grupo faz "artivismo" em ação em São Paulo
Experiência Imersiva Ambiental propõe questionamento da vigilância
Performance em câmeras instaladas na cidade se inspira em exemplos
anteriores; projetos como esse estão na Bienal de SP
ADRIANA FERREIRA SILVA
DA REPORTAGEM LOCAL
Numa cidade como São Paulo, não é novidade andar pelas ruas e assistir
a cenas inusitadas, que parecem ter saído de um filme. Hoje, no
entanto, alguns movimentos duvidosos podem fazer parte de um projeto
artístico.
A partir das 11h, num local não-divulgado -para não estragar a
surpresa-, cerca de 25 pessoas irão protagonizar performances diversas
diante das câmeras que vigiam as ruas. A atuação, batizada de "Atitude
Suspeita", faz parte da semana de eventos proposta pelo Experiência
Imersiva Ambiental (EIA), grupo que reúne artistas de todo o país para
fazer trabalhos de arte pública, que tanto podem ser uma festa como
uma ação, como a desta manhã.
Essa atividade se encaixa em duas categorias que, segundo o
pesquisador Ricardo Rosas, 36, criador do site Rizoma (endereço ao
lado), têm proliferado no Brasil: a da "mídia tática" e a da "arte
ativista", engajada ou "artivista". A exemplo de artistas, grupos e
coletivos espalhados pelo mundo todo, os brasileiros têm desenvolvido
trabalhos que questionam a mídia, a política e a própria arte por meio
de instalações, performances, vídeos etc.
Por trás das ações que irão ocorrer hoje -que também não foram
descritas, para não estragar a surpresa- estão questões como "Quais
são os direitos sobre o uso da imagem?" ou "Por que devemos ser
vigiados?" . "Recebemos pela internet o número de câmeras que existe
em SP e o local onde se encontram. Pensamos que seria engraçado se
estivessem acontecendo coisas suspeitas em frente a elas", explica
Eduardo Verderame, 35, integrante do EIA.
Vigiados
Críticas tendo como ponto de partida as câmeras de vigilância estão
longe de ser uma novidade. Em Nova York, o grupo Surveillance Camera
Players ( www.notbored.org/the-scp.html) mapeia locais onde estão
esses equipamentos em cidades americanas e realiza performances.
Na 27ª Bienal de São Paulo, o paulistano Marcelo Cidade espalhou
câmeras de papelão pelo prédio da mostra. "A câmera de vigilância faz
parte de nosso cotidiano. Cada vez mais as imagens ali geradas podem
ser também assistidas em público. Isso sugere que, na sociedade em que
vivemos, o espetáculo e a vigilância se sobrepõem. Questões ligadas à
privacidade, ao direito individual, ao testemunho legal se
interpenetram com a arte", explica Cristina Freire, 44, co-curadora da
Bienal e professora do MAC-USP.
"Acredito que não basta apenas valer-se das imagens da câmera de
vigilância, mas refletir sobre seu sentido e significados mais
profundos", completa Freire. No caso do EIA, Verderame diz que o grupo
prefere acreditar no "poder simbólico" da "Atitude Suspeita".
"A atuação vai repercutir em outros lugares, os registros serão
mostrados para outras pessoas, e o número de pessoas a tomar contato
com a questão cresce, outros se envolvem", aposta Verderame.
O inusitado é que a crítica ao uso desses dispositivos pelo poder
público para vigiar os paulistanos foi desenvolvida dentro de um órgão
público: a Oficina Oswald de Andrade, onde o EIA realizou o curso
"Vigilia", que preparou os artistas para a "Atitude Suspeita".
"Nós usamos o equipamento público para o que ele deve ser usado: em
prol das pessoas, da liberdade de pensamento e expressão", fala
Verderame.







