Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

Materia sobre artivismo na Ilustrada

Materia sobre artivismo na Ilustrada
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0612200607.htm


Amigos: hoje foi publicada na Folha de São Paulo a matéria 'Grupo faz
"artivismo" em ação em São Paulo'. Sem sequer entrar no mérito da
matéria, lamentamos apenas o esquecimento da jornalista que deixou de
citar o grupo Esqueleto Coletivo como autor da ação, que aconteceu
dentro da semana de imersão do EIA, como do workshop.
abraços, EIA

Ilustrada, São Paulo, quarta-feira, 06 de dezembro de 2006

Grupo faz "artivismo" em ação em São Paulo

Experiência Imersiva Ambiental propõe questionamento da vigilância

Performance em câmeras instaladas na cidade se inspira em exemplos
anteriores; projetos como esse estão na Bienal de SP

ADRIANA FERREIRA SILVA
DA REPORTAGEM LOCAL

Numa cidade como São Paulo, não é novidade andar pelas ruas e assistir
a cenas inusitadas, que parecem ter saído de um filme. Hoje, no
entanto, alguns movimentos duvidosos podem fazer parte de um projeto
artístico.
A partir das 11h, num local não-divulgado -para não estragar a
surpresa-, cerca de 25 pessoas irão protagonizar performances diversas
diante das câmeras que vigiam as ruas. A atuação, batizada de "Atitude
Suspeita", faz parte da semana de eventos proposta pelo Experiência
Imersiva Ambiental (EIA), grupo que reúne artistas de todo o país para
fazer trabalhos de arte pública, que tanto podem ser uma festa como
uma ação, como a desta manhã.
Essa atividade se encaixa em duas categorias que, segundo o
pesquisador Ricardo Rosas, 36, criador do site Rizoma (endereço ao
lado), têm proliferado no Brasil: a da "mídia tática" e a da "arte
ativista", engajada ou "artivista". A exemplo de artistas, grupos e
coletivos espalhados pelo mundo todo, os brasileiros têm desenvolvido
trabalhos que questionam a mídia, a política e a própria arte por meio
de instalações, performances, vídeos etc.
Por trás das ações que irão ocorrer hoje -que também não foram
descritas, para não estragar a surpresa- estão questões como "Quais
são os direitos sobre o uso da imagem?" ou "Por que devemos ser
vigiados?" . "Recebemos pela internet o número de câmeras que existe
em SP e o local onde se encontram. Pensamos que seria engraçado se
estivessem acontecendo coisas suspeitas em frente a elas", explica
Eduardo Verderame, 35, integrante do EIA.

Vigiados
Críticas tendo como ponto de partida as câmeras de vigilância estão
longe de ser uma novidade. Em Nova York, o grupo Surveillance Camera
Players ( www.notbored.org/the-scp.html) mapeia locais onde estão
esses equipamentos em cidades americanas e realiza performances.
Na 27ª Bienal de São Paulo, o paulistano Marcelo Cidade espalhou
câmeras de papelão pelo prédio da mostra. "A câmera de vigilância faz
parte de nosso cotidiano. Cada vez mais as imagens ali geradas podem
ser também assistidas em público. Isso sugere que, na sociedade em que
vivemos, o espetáculo e a vigilância se sobrepõem. Questões ligadas à
privacidade, ao direito individual, ao testemunho legal se
interpenetram com a arte", explica Cristina Freire, 44, co-curadora da
Bienal e professora do MAC-USP.
"Acredito que não basta apenas valer-se das imagens da câmera de
vigilância, mas refletir sobre seu sentido e significados mais
profundos", completa Freire. No caso do EIA, Verderame diz que o grupo
prefere acreditar no "poder simbólico" da "Atitude Suspeita".
"A atuação vai repercutir em outros lugares, os registros serão
mostrados para outras pessoas, e o número de pessoas a tomar contato
com a questão cresce, outros se envolvem", aposta Verderame.
O inusitado é que a crítica ao uso desses dispositivos pelo poder
público para vigiar os paulistanos foi desenvolvida dentro de um órgão
público: a Oficina Oswald de Andrade, onde o EIA realizou o curso
"Vigilia", que preparou os artistas para a "Atitude Suspeita".
"Nós usamos o equipamento público para o que ele deve ser usado: em
prol das pessoas, da liberdade de pensamento e expressão", fala
Verderame.

atitude suspeita, o blog

http://atitude-suspeita.blogspot.com/

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Matarazzo Big Brother

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

atitude suspeita




http://atitude-suspeita.blogspot.com/



Esqueleto Coletivo e EIA
convidam você a cometer uma


ATITUDE SUSPEITA
ações simultâneas sob as câmeras de
vigilância pública do centro de São Paulo


PODER • CONTROLE • VIGILÂNCIA • PUNIÇÃO • INDÚSTRIA DO MEDO • PANOPTISMO


Todos os dias nossos passos são captados, ampliados, arquivados. As estruturas do Poder vigiam e congelam imagens nos maquinários portadores da Verdade. Denunciadoras de Delito: câmeras suspensas sobre cada esquina, sobre todas as cabeças, ações e intenções. Sob a perspectiva da Punição, nos auto-controlamos e atuamos dentro de um roteiro pré-estabelecido. Será?

Junte-se a nós com suas proposições poéticas e políticas para ocuparmos a cidade na primeira semana de dezembro, durante o EIA 2006.

Performance, protesto, happening, qualquer ação, intervenção ou atitude suspeita sob as câmeras de vigilância do centro. Mande sua idéia para:

esqueletocoletivo@yahoo.com.br

Propomos o diálogo, queremos valorizar as particularidades que nos fazem seres únicos e assumir nossa existência, invertendo a lógica a favor do cidadão. Estimular o conhecimento das "realidades" e situações onde estamos inseridos, contra a alienação que é um dos elementos mais eficazes da manutenção do poder estabelecido. É necessária a libertação do controle imposto, atitude consciente é a melhor resposta.


SUA LIBERDADE É VIGIADA!

Participe da ação ATITUDE SUSPEITA, visite o blog:

http://atitude-suspeita.blogspot.com/


Sexta-feira, Outubro 27, 2006

O discurso da Prefeitura de São Paulo

Texto retirado do site da prefeitura de São Paulo, da Coordenadoria de Segurança Urbana.

Vale prestar atenção no discurso repressor que fundamenta a colocação das câmeras, que está grifado em negrito.

Programa de Monitoramento do Centro da Cidade de São Paulo

Na cidade de São Paulo, verifica-se um grande número de pessoas e veículos que utilizam e transitam nos logradouros que se cruzam nessa grande cidade, para se dirigirem aos seus trabalhos, escolas, etc...
Nas vias de maiores fluxos são detectados diariamente diversos tipos de ações e omissões que são considerados violência ou crime propriamente dito, contra a segurança das pessoas e ao patrimônio.
Diante de tais fatos, a Prefeitura do Município de São Paulo, através de ação conjunta da Coordenadoria de Segurança Urbana e Subprefeitura da Sé, idealizaram o “Programa Monitoramento da cidade de São Paulo” que possibilita a instalação de Câmeras de vídeo para monitoramento, com o objetivo de assistir diuturnamente os locais de maiores incidências de atividades de caráter delituoso.
Tal recurso é utilizado pela CET, em topos de edifícios ou locais elevados, no monitoramento do fluxo de trânsito na Capital de São Paulo que comprovou sua eficácia.
Para a avaliação dos pontos de instalação de Câmeras de vídeo para monitoramento, foi realizado primeiramente um estudo nos tipos de equipamentos utilizados pela CET e SPTrans, na sua Central de Controle e constatou-se que o melhor tipo de Câmeras de vídeo para monitoramento é a Câmera Rotativa, que pode atingir um alcance de visualização plenamente satisfatória, além de atender os 360 graus a partir do seu eixo de instalação, da sua área circunvizinha. Com base nesse resultado técnico foi realizado um estudo de campo, onde pôde ser avaliada a utilização de Câmera fixa ou rotativa conforme a característica de cada logradouro.
A implantação do Sistema de monitoramento por câmeras na região central tem como objetivo possibilitar uma ação eficaz de pronto atendimento para a manutenção da ordem e segurança das pessoas e do patrimônio.
Em 31 de julho 2006 a Guarda Civil Metropolitana, com 13 câmeras eletrônicas distribuídas por pontos estratégicos com abrangência de vigilância durante 24 horas por 65 ruas do centro da Capital deu início ao monitoramento.
Em 15 de setembro a primeira etapa do Projeto foi concluída, com 35 câmeras assistindo diuturnamente 94 logradouros, abrangendo o Centro Novo, o Centro Histórico, o Anhagabaú, a Nova Luz e a região da Rua 25 de Março.
As próximas regiões que terão monitoramento são: avenida Paulista e Parque Trianon, Glicério, Santa Ifigênia, Praça Júlio Mesquita, José Paulino, Penha, São Mateus, Mooca, Santana, Tucuruvi, Cidade Ademar, Lapa e Perus.
http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/seguranca_urbana/conselho/0001

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

cameras de vigilância

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Entrevista Pe. Júlio Lancelotti

Não foi por acaso que Pe. Júlio Lancelotti foi escolhido para ser a primeira personalidade entrevistada pelo Jornal do Fórum Centro Vivo. Pe. Júlio possui uma extensa e reconhecida luta por um Centro de São Paulo mais justo e humano. Júlio Lancelotti é vigário episcopal do povo da rua, desenvolve trabalhos com menores de rua e adolescentes infratores em liberdade assistida, com mulheres da penitenciaria feminina do Tatuapé e crianças portadoras do vírus HIV. É também pároco da Paróquia São Arcanjo, na Moóca.

Como o senhor vê o centro da cidade hoje?

O Centro é sempre um retrato concentrado de toda a cidade. É, portanto, uma fotografia do sofrimento, da miséria, do descaso do poder público com a população mais empobre-cida. Mesmo nas áreas centrais, que têm muitos equipamentos sociais, não existe uma política pública. Por outro lado a gente vê a força de alguns grupos, como a Associação Viva o Centro, que querem fazer do centro novamente o espaço do seu poderio: o espaço simbólico, real e econômico das elites, do empresariado e dos bancos. Eles tentam fazer isso escondendo aquilo que consideram inadequado, aquilo que supostamente enfeia a cidade. Acredito que a tensão que existe hoje é porque não se pensa o centro a partir da própria periferia que está lá, mas do centro hegemônico de poder econômico, imobiliário. Isso só traz acirramento do conflito, não solução.

O que o senhor acha dos investimentos culturais que vêm sendo realizados pelo governo, como a Sala São Paulo?

A Sala São Paulo não pode ser vetada para a população empobrecida, tem que ser um espaço democrático. O que acontece é que o governo está usando uma técnica de guerra, uma técnica de apartheid, e isso não vai funcionar. Não vai porque o próprio frequentador não vai querer ir para um concerto cercado pela polícia. É um engano. A única possibilidade é fazer disso um espaço realmente da cidade, um espaço que os vários grupos culturais e sociais possam utilizar. Se você não tem algo como seu, você não conserva. Daí a necessidade de ter soldados lá o dia inteiro, com metralhadora, para ninguém pichar, para ninguém chegar perto… É um espaço que foi criado ali, mas que não é dali. O povo não o sente como cenário cotidiano, fica artificial. Eles, portanto, se enganam com essas “âncoras” de revalorização do Centro: são soluções muito custosas e pouco inteligentes.

Como o senhor vê o retorno da elite ao Centro?

Na história da urbanização de São Paulo os ricos foram para longe, para os condomínios fechados, e abandonaram asáreas centrais aos pobres. Agora eles querem retomar o centro porque perceberam que não encontraram o paraíso que imaginavam encontrar. A droga e a violência entraram nos condominios fechados e não foram os pobres da periferia que as levaram para lá, foram os próprios ricos. Por isso eles têm que perceber que esse “isolamento social” não resolve. Isso é um modelo da monarquia decadente que não traz mais resposta para cidade do jeito que ela é hoje. A população de rua, por exemplo, por mais que eles tentem removê-la de determinados espaços, não conseguem. Conseguem momentaneamente, mas eles furam o cerco, voltam. O único jeito seria construir campos de concentração. É preciso encontrar meios de inclusão, não meios de exclusão. A elite ainda têm uma mentalidade de usar a cultura e os bens públicos como meios de exclusão. E não resolve, não resolve!

Mas as ações de limpeza social podem dar um lucro tremendo para alguns grupos, não?

Que nós temos um Estado a serviço de uma hegemonia, de uma elite, isto é claro. Mas o nosso trabalho é de resistência, é de contestação, é de denúncia, é de anúncio, é de organização. Por isso uma organização como essa do Centro Vivo se contrapõe à da Viva o Centro, na medida em que traz uma ótica diferente. E é no conflito dessas óticas que vai se construindo a possibilidade de termos novo aliados. Vai ser difícil? Vai. Mas não devemos buscar o confronto pelo confronto, é importante perceber qual o entendimento que eles têm, e eles decerto vão perceber o nosso entendimento, vão perceber que são posturas e propostas antagônicas. É uma luta histórica e isso não vai ser resolvido tão cedo.

Qual a sua opinião sobre a ocupação de edifícios vazios por famílias de sem-teto?Muita gente acha que é invasão, é violação da propriedade.

A ocupação é legítima. É legitimada pela moral, pela ética, e pela própria moral mais antiga e mais tradicional da Igreja: o direito à vida é superior ao direito à propriedade. Ter uma propriedade vazia é um atentado. O próprio papa João Paulo II disse que sobre toda propriedade pesa uma hipoteca social. E a ocupação é uma forma de cobrar essa hipoteca. Os prédios que estão vazios são imorais, como são muitos prédios no centro de São Paulo. Na Summa Theologica, no livro VII, diz São Tomás de Aquino: “aquilo que você tem, e que é supérfluo, que você não precisa, não é seu, é do pobre”. Se o pobre vai e pega, ele comete um ato de justiça, porque é dele; e se ele não pega, ele comete um ato de caridade, porque deixou pra você. Isso é a tradição da Igreja, isso vem desde o tomismo, a teologia mais tradicional. Não tem como querer sobrepor os direitos da propriedade sobre o direito à vida, ao habitat no espaço. É até uma lei física: todo corpo precisa habitar um espaço. Se o espaço está vazio, tem que ser ocupado. O termo é ocupação mesmo, não invasão: não se pode invadir o que está vazio.

O Governo do Estado não fez nenhuma habitação na área central e agora está despejando as famílias das ocupações. O que o senhor acha dessa atitude?

É difícil saber o que passa na cabeça do governo do Estado... Eu sei o que a gente deve fazer: resistir, buscar novos aliados, buscar canais de comunicação, fazer pressão política, pressão popular, para que a situação se reverta. Acredito que o Governo do Estado está aliado com entidades como a Viva o Centro no intuito de revalorizar a região pela expulsão dos empobrecidos: uma visão moralista, elitista e violenta. E os próprios policiais que vão expulsar as pessoas são candidatos a depois ir para uma ocupação, porque eles estão morando em péssima situação. É tratar o direito à moradia criminali-zando a ocupação, e desacreditando os movimentos de moradia junto à opinião pública. É um momento muito complicado, vamos precisar de muita articulação, inteligência, criatividade para buscarmos aliados.

O que seria um CENTRO VIVO para o senhor?

Um Centro Vivo seria um Centro onde se pode viver com alegria, onde convivem as diferenças arquitetônicas, as diferenças culturais, as diferenças de posição política; é um centro onde se possa ter um espaço de liberdade, onde se possa ter a beleza, mas a beleza também das pessoas, das formas, das cores, das diferenças, e não só das coisas. Isso é um Centro Vivo, um centro onde ninguém seja expulso, onde ninguém seja excluído. Ele é vivo se for democrático, se for socializado, se as pessoas se considerarem pertencentes ao espaço, se esse espaço pertencer ao imaginário das pessoas, ao imaginário da cidade, e não de um grupo, de uma classe social. É uma tarefa difícil, mas é a tarefa da democracia, do pluralismo, é a tarefa da compaixão. Eu simbolizaria o Centro Vivo como uma celebração de uma oração, onde os budistas, os árabes, os cristãos, onde todos pudessem celebrar juntos, onde todos pudessem ser amigos e irmãos. Um centro onde a carroça do povo da rua fosse tão respeitada como a BMW do empresário e não fosse expulsa nem excluída, e onde o empresário percebesse que melhor do que ele ter uma BMW é o sujeito que carrega papelão na carroça ter um espaço para comer, para dançar, para dormir, para ter saúde, para estudar e para celebrar.

fonte: Forum Centro Vivo

Movimentos denunciam a "limpeza social" em São Paulo


Prefeitura suspende programas sociais e usa a truculência para expulsar a pobreza das regiões centrais da metrópole

Tatiana Merlino,
da Redação

Com seis filhos, Helenice Souza mora em um espaço onde não daria para viver mais de duas pessoas. Para dormir, as crianças e a mãe precisam acomodar-se em duas camas e num colchão colocado no espaço que sobra no quarto. No mesmo cômodo, ainda estão uma geladeira e um fogão. O banheiro, do lado de fora, é dividido com famílias que moram nos outros 30 quartos. Se a situação de Helenice, que saiu da cidade de Matesuma (MG) há quinze anos em busca de uma vida melhor em São Paulo é precária, dentro de cinco meses deve ficar pior ainda.

Helenice paga o aluguel da pensão de R$ 250 com o bolsa-aluguel concedido pela Prefeitura de São Paulo após ter sido despejada em agosto de 2005 da ocupação do prédio Plínio Ramos. O benefício acaba em outubro e a mulher de 38 anos não tem para onde ir com seus filhos. A solução: "ocupar" outro imóvel.

As condições em que Helenice vive são semelhantes a de centenas de famílias que foram despejadas de ocupações no centro de São Paulo. Para denunciar a situação de violação dos direitos humanos por parte do Estado, como a vivida por Helenice, entidades reunidas no Fórum Centro Vivo (FCV) lançaram, dia 25, o dossiê "Violações dos direitos humanos no centro de São Paulo: Propostas e Reivindicações para políticas públicas".

Grupos em risco

Dividido em sete capítulos, o documento reúne casos de violência e retrocesso das políticas públicas em relação a cinco grupos que moram ou dependem do centro de São Paulo para sobreviver - sem-teto, catadores de material reciclável, população de rua, crianças e adolescentes em situação de risco e trabalhadores ambulantes.

Além de denunciar, as entidades e movimentos sugerem a democratização do centro como alternativa às denúncias. Há propostas para diferentes âmbitos governamentais - municipal, estadual e federal - com o objetivo de "construir uma cidade justa, democrática e acessível a todos os que nela vivem". Entre as denúncias feitas por meio de reportagens, documentos e fotografias, há casos de perseguição e criminalização de movimentos sociais, violências praticadas contra crianças e adolescentes em situação de rua e tentativa de expulsão da população pobre da região.

De acordo com Luciana Bedeschi, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, uma das entidades envolvidas na elaboração do documento, a idéia de elaborar o dossiê surgiu em agosto do ano passado "quando decidimos reunir todas as nossas tristezas e indignação em um documento, que não é apenas de denúncia, mas sim propositivo".

De acordo com ela, está em curso um processo de criminalização dos militantes de direitos humanos, das organizações que atuam na região central e da própria pobreza. "Não não podemos olhar pra tudo isto que está acontecendo e achar que é normal. Não podemos deixar que isto aconteça".

Denúncias de violação

Em relação à moradia, há a denúncia de interrupção de programas habitacionais populares no centro, com a paralisação de projetos em andamento a partir da gestão municipal de José Serra e, agora, de Gilberto Cassab. Há, ainda, a diminuição do orçamento da prefeitura destinado à área de habitação, que é o menor das últimas décadas - menos de 2% do total.

Já os catadores de material reciclável são alvo de violência da polícia militar e da guarda civil metropolitana, têm seus carrinhos apreendidos e destruídos além de serem atingidos com jatos de água, diz o documento.

Os moradores de rua do centro foram prejudicados com a descontinuidade do programa de moradias provisórias, que teve início em 2003, e com o fim do programa Operação Trabalho, em abril de 2006. O programa empregava pessoas de renda familiar de até meio salário mínimo, de baixa escolaridade, em situação de rua e egressos do sistema prisional.

As crianças e adolescentes em situação de risco também não ficaram de fora. O dossiê critica a interrupção do processo de implantação da lei de municipalização do atendimento de crianças e adolescentes em situação de risco social.

O texto ainda critica a negação de trabalho aos ambulantes, gerando, desta maneira, obstáculos para o exercício do trabalho, gerando mais insegurança para os trabalhadores.

Limpeza social

De acordo com lideranças de movimentos populares e moradores do centro de São Paulo, há em curso um processo que, apesar de ser chamado de "revitalização", é uma "higienização" ou "limpeza social". "A falta de alternativa de moradia à população de baixa renda a não ser a ocupação dos locais mais afastados e precários faz parte desse processo de higienização. O Poder Público não enfrenta o problema do acesso da população mais pobre à moradia", diz o texto.

"Na contramão do Estado Democrático de Direito, verificamos que o subprefeito da Sé, Andréa Matarazzo, o secretário de Habitação de São Paulo, Orlando de Almeida Filho, e o prefeito José Serra investiram em ações exemplificativas, do modelo de revitalização que promovem a expulsão da população empobrecida da região central".

De acordo com Anderson Lopes, do Movimento Nacional da População de Rua, o poder público tem tratado os problemas sociais como caso de polícia. "A Polícia Militar está ostensivamente apreendendo documentos e coisas da população que mora na rua". De acordo com ele, a partir do início da gestão Serra, as políticas públicas para o centro estão paradas: "É preciso denunciar essa higienização".


fonte: Brasil de Fato

Câmeras de vigilancia




São 13 câmeras que giram 360 graus e podem aproximar objetos até 1km de distância.

O custo de R$2,7 milhões foi bancado pela gentil Telefônica (em troca de alguns anunciozinhos discretos, como de costume, na região).

Segundo o supra-prefeito Andrea Matarazzo, o próximo alvo é a avenida Paulista, que deverá receber 16 vigilantes eletrônicos até o final do ano.


por luddista


fonte: Integração sem Posse